O modo como pensamos interfere diretamente no modo como fazemos e vice-versa. Nesse sentido, os nossos conceitos, ideias e percepções são diretamente materializadas nos projetos arquitetônicos que fazemos e esses projetos interferem também os conceitos, ideias e percepções daqueles que os habitam. Assim, crescemos e desenvolvemos nosso indivíduo, recebendo cotidianamente através do espaço, regras sociais estabelecidas pela nossa cultura.
Dentre essas regras determinantes de cada espaço existem as regras que regem a sexualidade. O modo como pensamos ou entendemos a sexualidade faz com que os espaços que projetamos sigam a mesma exige.
Para entender esse legado cultural da sexualidade analisamos a revista Playboy a partir do livro “Arquitetura e Sexualidade. 1000m2 de deseo” do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona a fim de perceber através da pornografia e dos projetos de casas para homens solteiros (feitos pela revista) o conjunto de regras que regem a sexualidade no contemporâneo, com vestígios de sua ancestralidade católica e patriarcal.
Assim, abrimos uma questão chave para o trabalho; Como o desenho do espaço determina o comportamento sexual de seus habitantes? Como condiciona valores morais sobre a sexualidade?
Sendo ela limitada por espaços que a rodeiam cada vez mais estreitados entre produzir e consumir.
Para essa pesquisa, escolhemos para estudo de campo um recorte da rua General Jardim de dois edifícios; um motel e um edifício residencial com térreo comercial. O uso do térreo do edifício residencial possui uma forte relação com o corpo, a estética e a sexualidade, que transpassa as vitrines das lojas; o motel por sua vez, sendo objetivamente ligado a sexualidade é velado por um muro e se abre para a rua apenas através da porta de entrada, louvando o estigma do espaço do motel como algo rigorosamente privado e velado, mesmo no contexto de sua implantação que possui um uso intenso de programas relacionados a sexualidade, marcada principalmente pela prostituição.
Assim a busca desse trabalho se tornou dignificar a sexualidade no espaço e no tempo criando patamares materiais que contemplem sua existência, a fim de valorizar a heterogeneidade temporal, espacial e cultural. Um desenho do espaço que agregue a sexualidade re-define a nossa relação com a mesma pois a torna aceitada e não negada. O modo de pensar sexualidade e de fazer arquitetura tem o potencial de criar patamares para que as pessoas possam experimentar sua sexualidade e descobrir seu gozo.

fachada motel san marino

rua general jardim